Dominância Cerebral na Aquisição de Conhecimentos Gramaticais (parte 2)

Para Miller (et al, 2003, p.4) fica claro “a importância da escola como ponte de integração e união de pessoas de histórias de vida diferentes. Afinal, todos partilhamos de um mesmo mundo”.

É comum professores de idiomas ouvirem a célebre frase: Por que tenho dificuldade em aprender gramática?

Planejar e trabalhar para entender são tarefas do professor que, numa aula de gramática, o conteúdo exploratório dê ênfase a perguntas e deixe que outras surjam em relação ao aprendizado da mesma.

O trabalho exploratório e investigativo seria o de agrupar as questões surgidas e verificar que crenças estariam implícitas ali. Levantar todas as questões possíveis sobre como os alunos aprendem gramática. O que seria aprender gramática para eles?

Esse grande quebra-cabeça facilitaria a coleta de dados para que o professor pudesse entender suas questões para apresentar depois um teste de Dominância Cerebral e analisar com os alunos suas formas distintas de aprender.

Todas as questões focadas para o aprendizado da gramática seriam verificadas a posteriori com a análise de identificação do hemisfério cerebral dominante.

Numa iniciativa contínua e indefinidamente sustentável o trabalho exploratório se integra com a Prática Pedagógica do dia-a-dia a partir das questões trazidas pelos participantes e o teste da Dominância Cerebral poderia ser inserido nesse desenvolvimento contínuo da busca de entendimentos e melhorias de aprendizado.

Aprender é o alvo de todo professor e de todo aluno. Mas de que formas aprendemos?

Esta pergunta vem sendo tema de discussão tanto das áreas de Educação como da Psicologia, mas um fato é certo: precisamos analisar alguns aspectos neurais que envolvem como a informação chega ao nosso cérebro e como essa informação se transforma em conhecimento.

Toda informação é um veículo elétrico – físico – químico, que chega até o cérebro, órgão responsável em congregar, gerar e processar cada informação. As informações descem em paralelo e devem se cruzar em forma de um “X”, numa perfeita comunicação entre os hemisférios cerebrais. Este trabalho de comunicação é feito pelos corpos calosos que são fibras neuronais e responsáveis pelo cruzamento das informações dos hemisférios esquerdo e direito. Quando isso não ocorre, há um curto circuito e certamente haverá dificuldade de aprendizagem.

De que forma poderá o professor, então, ajudar a melhorar esse quadro?

Dentro da técnica da Applied Kinnesiology, ou seja, do Balanceamento Muscular aqui no Brasil, existem alguns exercícios simples, práticos e eficazes nos estímulos de comunicação entre os hemisférios cerebrais.

Um desses exercícios é o cross crawl (troca de polaridade), que consiste em alternar braço direito com perna esquerda e vice-versa, um exercício físico muito usado pelos professores de Educação Física, mas que poderia ser usado diariamente por professores de outras áreas em suas salas de aula com todos aqueles que quisessem ou pudessem fazê-lo.

Um cérebro bem organizado e preparado é capaz de processar mais informações ainda. De acordo com o autor Helion Póvoa (et al, 2005):

No ser humano, como em qualquer sistema, a informação permite que ele economize tempo e energia e aumente seu potencial para viver melhor. Portanto, a informação é um nutriente. A informação é um fator tão importante para o cérebro que, na fase final da vida, é o mais decisivo de todos.

E quando as informações se transformam em conhecimento? Além dos estímulos físicos cerebrais, quando essas mesmas informações são internalizadas pelo sujeito, quando há significação para ele, quando há interesse. Interesse vem a ser mais uma palavra-chave na questão do aprendizado; aí a informação deixa de ser simples informação para tornar-se conhecimento.

Veja Também (na internet)

MARALIZ LEITÃO, professora docente de Língua Portuguesa e Inglesa, especializada em Tradução, pós-graduada em Lingüística Aplicada da Língua Inglesa — Friburgo/RJ + (21) 9368 7811 / (22) 2533-3004 * maraliz@oi.com.br\r\n

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
\r\nALLWRIGHT, D. Principles of and for exploratory practice. Mimes. Lancaster University, United Kingdom, 2002
\r\nCELCE-MURCIA, M; HILLES, S. Techniques and resources in teaching grammar. England: Oxford University Press, 1988
\r\nFREIRE, P. Educação e Mudança. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1979
\r\nGADOTTI, M. Projeto Político Pedagógico da escola: fundamentos para sua realização. In Autonomia da Escola: princípios e propostas. São Paulo: Cortez, 1997
\r\nMASETTO, M. T. Aulas vivas. São Paulo: M.G, 1992
\r\nMILLER, I. et al. Pela qualidade de vida na sala de aula. In 2o Seminário Internacional de Educação. Campinas, 2003
\r\nPERRENOUD, P. A prática reflexiva no ofício do professor: Profissionalização e Razão Pedagógica. Porto Alegre: Artmed, 2002
\r\nPÓVOA, H. et al. Nutrição Cerebral. Objetiva, 2005
\r\nRAPOSO, E. Teoria da Gramática. A faculdade da linguagem. Lisboa: Editorial Caminho, 1992
\r\nREADER’S DIGEST. Maximize o potencial do seu cérebro. In ALDRIEDGE, S. Et al, Cérebro esquerdo – cérebro direito. Rio de Janeiro: Seleções do Reader’s digest, 2004
\r\nROMÃO, J. E. Avaliação dialógica: desafios e perspectivas. São Paulo: Cortez: Instituto Paulo Freire, 1999

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