Meu Brinquedo Colorido

Cores, profusões de cores enfeitando a vida, a visão, a alma da gente. Recordo... o papagaio colorido de papel de seda, de todos os matizes. Eu era uma tola e ingênua criança, empinando bem alto o meu brinquedo voador. E gastava a imaginação para criá-lo... ripinhas de bambu, um pouco de cola de farinha de trigo e os papéis coloridos. Passava horas distraída com o meu brinquedo, uma mensagem ao céu, das minhas aspirações de menina. E a linha? Em carretel forte e cheio que agüentasse o peso e tão longa que fizesse subir, subir, subir...

O tempo foi passando e o meu brinquedo está comigo, simbólico na vida, mas sempre o mesmo. Lá vai bem alto, o papagaio dos meus sonhos, bem pertinho dos céus, roçando nuvens, viajando pelas montanhas, buscando o sol, a lua, estrelas...

Sobe, sobe brinquedo de sonho de todos os matizes. A linha é forte, aguenta o peso. Alguém há de querer cortá-lo, destruí-lo, não me importo... Construo outro, mais outro, dezenas deles, sonhos coloridos que subirão e hão de pairar bem alto... lá vai o meu papagaio colorido, carregado de sonhos, ilusões, vivências. O meu brinquedo, o meu lindo brinquedo de papel colorido de todos os matizes.

SUZETTE STAMPA foi uma mulher como tantas outras. Amou e viveu intensamente até os 90 anos. Viveria muito mais se não tivesse a vida ceifada por uma besta humana interessada em tomar-lhe alguns poucos bens materiais que amealhara ao longo de sua existência. * Texto publicado originalmente em Matizes jan/1968

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