Mulheres Contemporâneas (2/2)

Parece ontem que sutiãs foram queimados em praça pública, e que o anticoncepcional entrou no mercado deflagrando a grande liberação sexual dos anos 60 e 70, rompendo tabus sexistas e abrindo a discussão da igualdade de direito entre os sexos.

Muito se conquistou, mas a mulher contemporânea ainda vive presa a amarras sociais que muitas vezes não lhe permitem priorizar a si mesma e entender o que realmente quer. Embora tenha poder no trabalho e em casa, muitas vezes encontra-se subjugada ao poder do masculino, seja pelo homem autoritário, que a domina na relação doméstica_ pela força financeira ou física_ ou a objetifica sexualmente, pelo homem que norteia toda religião, sendo superior e mais divino que ela, e também pela sociedade, que a faz refém do mito de beleza, que tanto a assalta através da mídia.

Parece que a mulher nunca tem a chance de descansar, enquanto carrega o fardo da busca da perfeição e anula tantos de seus verdadeiros anseios. Passa boa parte da sua vida fugindo do terrorismo moral, e quando finalmente atinge sua liberdade sexual e maturidade, entra no terrorismo estético, capaz de torturá-la novamente.

Esta reflexão vem para abrir uma nova perspectiva para estas mulheres que perdem tanto de sua vida esperando alguém ou alguma coisa para realizar seus verdadeiros sonhos, encontrando justificativas para não buscar sua felicidade e serenidade. O nosso momento, mulheres, é justamente este. Estamos com as portas abertas para este novo século, e superamos tanto ao longo dos tempos, que o mínimo que podemos dizer é que estamos com tudo favorável para encontrarmos o que realmente queremos.

Somos a considerável parte do mercado de trabalho que gera frutos em toda parte do globo, enquanto também geramos frutos do amor e da compaixão, através da gestação, mas também da adoção, das ações sociais e ecológicas... Conscientizamos o mundo de tantas coisas através de nossa sensibilidade, acolhemos o próximo com a delicadeza e a receptividade que sempre será nossa mais peculiar característica, não importando a nação onde estivermos. Com o nosso sexto - sentido podemos deixar aflorar reflexões ponderadas sobre ações que, impetuosas, poderiam resultar em danos, como é tão comum entre homens e seus impulsos encharcados de testosterona, e com isto acabamos sendo as líderes ou parceiras de líderes mais célebres de que ouvimos falar. Enquanto a mulher carregar em si um útero, terá em seu coração a capacidade expansiva de dar abrigo a alguém, de ouvir, de acariciar, de tolerar e perdoar.

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Ana Carolina Rocha é médica, professora de dermatologia e medicina estética (ISMD & CBMCE - http://www.lavitalite.com.br ) Consultora e escritora, presidente da Ong Terr'Ativa (http://www.terrativa.org ) * Rio de janeiro/RJ

* Texto originalmente publicado em http://www.idademaior.com.br/areas/corpo.htm

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