Nem sempre ganhando, nem sempre perdendo, mas aprendendo

“Mesmo depois que os anos devastaram muita coisa (talvez a família, o trabalho, o meu corpo, meus amores), o que foi bom pode permanecer – não sombra ou vazio, mas motivo de voltar a florescer. Arrastar a cadeira para fora da zona de sombra e sentar-me um pouco ao sol. Passado o primeiro horror de alguma perda grave, na impotência e inconformidade, começam a abrirem-se frestas por onde a antiga claridade se derrama no agora.” - (Lya Luft – Perdas e Ganhos)

De repente, você se vê perdendo algo, ou alguém, que considerava como seu. Sente-se em prejuízo, frustrado.

Nesse momento, toda a sua força se recolhe, junto a ela, um número infindável de sonhos frustrados. Você que se sentia seguro, encontra-se novamente diante de um destino incerto. Como se tirassem seu chão, você se vê afundando em preocupações, mergulhando em dúvidas, impotente para mudar a realidade. Por um tempo imprevisível instala-se o caos. Como uma nuvem cinzenta encobrindo seus olhos, olha à frente e não consegue visualizar uma saída possível, mas sabe que não dá para paralisar. É preciso continuar.

Cada indivíduo é único e cada experiência de vida tem também suas particularidades, mas mesmo assim podemos perceber algumas características comuns do psiquismo nos momentos de perda, que são particularmente difíceis de superar.

Ninguém quer perder, de preferência, nada. Quando pensamos em perdas, pensamos em morte, mas, embora tenhamos que experimentar uma sensação de algo morrendo dentro, perdemos também por outras circunstâncias como separações, abandonos, mudanças, desilusões, desistências, transformações e perdemos até por uma opção, para poder viver... mas, algumas perdas são inevitáveis, muitas são necessárias e a maioria delas é dolorosa. Mas, é preciso desapegar da dor e reagir.

“... Olhar para as perdas é ver como estão definitivamente ligadas ao crescimento. E começar a perceber como nossas respostas às perdas moldaram nossas vidas pode ser o começo da sabedoria e de uma mudança promissora”.

Baseados nessa afirmação, podemos entender que as perdas constantes são um exercício contínuo de desapego e impelem para a maturidade e evolução do ser humano. Isso não quer dizer que sofrimento deve ser bem recebido. Muito pelo contrário, ao invés de esmurrar portas que se fecharam, as perdas são a oportunidade de abrir novas portas e até perceber portas que já estão abertas à nossa espera, com a inscrição: Entre.

Se optarmos pelo pessimismo, pelas mágoas, mau-humor, desânimo, infelicidade estamos sabotando nossa oportunidade de aprender com a experiência e crescer. Mudando a nossa forma de olhar a vida, mudamos a maneira de sentir e conseqüentemente, de agir. Aprender com a experiência é desapegar, largar o que já passou, levantar do chão (se tiver caído), sacudir a poeira, parar de se lamentar e começar a agir, convicto da necessidade de mudar, com a determinação de sair vitorioso da próxima vez, com a possibilidade de procurar descomplicar a vida, elaborando as perdas e construindo o próprio destino. Procurar não sofrer mais do que é necessário e ao invés de reclamar da sorte, rever as escolhas e investir nos projetos. Embora não pareça, existe uma certa beleza em reconstruir a vida, depois da superação de uma dificuldade. É preciso, então, sair da sombra e elevar os olhos para a luz e ser feliz!

LÚCIA DE ROSE, psicóloga (1973), CRP 05-0795, formação em Psicodrama, terapeuta floral há 15 anos, pós graduada (Psicossomática), atuação em clínica há mais de 20 anos e por mais de 5 dirigindo o Portal Violeta - Espaço de Terapias Cultura e Arte (estudos, atendimentos terapêuticos, danças e oráculos, objetivando o bem estar, equilíbrio e a vida saudável nos aspectos físico, emocional, social, mental, energético e espiritual) - Rio de Janeiro/RJ * (21) 9875-6012 * luciaderose@yahoo.com.br

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