Qual a Relação entre Sexo e Morte?

O medo. Por isso é que são tabus. Ninguém fala sobre sexo e ninguém fala sobre morte. Calamos acerca dessas duas coisas. Temos calado por séculos e séculos. São assuntos tabus, não devem ser mencionados. Quando são mencionados, alguma coisa começa a se agitar dentro de nós.

Parece que se encontra aí uma profunda repressão. É por isso que criamos palavras substitutas. O ocidente, não diz: “Estamos fazendo sexo”. Diz: “Estamos fazendo amor”. Palavras substitutas e falsas, porque o amor é uma dimensão totalmente diferente. Ter relações sexuais é ter relações sexuais; isso não é fazer amor. O amor pode incluir o sexo, mas tem uma qualidade totalmente diferente.

Nunca falamos sobre a morte diretamente. Se alguém morre, usamos palavras substitutas. Dizemos que a pessoa foi encontrar o Pai, que foi para o céu, passou pela transição, foi para o oriente eterno. A morte nunca é encarada diretamente.

Criamos muitos fenômenos falsos em torno da morte e do sexo.

Se duas pessoas vão se casar, o sexo nunca é mencionado. E elas estão se casando por sexo! Criamos uma grande ilusão em torno do casamento, mas o fato nu e cru é o sexo. Criamos um ritual, um grande ritual para o casamento, apenas para ocultar o fato. Por que?

Porque há um tabu a respeito apenas dessas duas coisas? Ambas estão profundamente relacionadas. A razão do seu relacionamento é a seguinte:

Em primeiro lugar, você nasceu do sexo; nascimento é sexo. E o nascimento e a morte são dois pólos da mesma coisa. Em seu próprio nascimento, a morte está oculta. Por isso o homem se conscientizou da profunda relação entre sexo e morte. A morte não pode ocorrer sem o sexo, assim como o nascimento não pode ocorrer sem o sexo.

Você pode pensar... Há organismos – a ameba e outras bactérias – que não nascem do sexo, mas de uma simples divisão. A ameba vai crescendo, nutrindo-se. Quando alcança um certo limite, seu corpo se divide em dois, porque ela se torna tão grande que a partir daí a ameba não pode se mover. O corpo continua a crescer até um certo limite e, então, divide-se em dois. A seguir, os dois corpos vão crescendo e dividem-se em quatro. Não há sexo, apenas divisão. É por isso que a ameba é conhecida como imortal. A ameba nunca morre. Se não lhe faltar comida, a ameba nunca morre. Não há necessidade de morrer, porque não há sexo.

O homem não pode se tornar imortal a menos que seja encontrado algo que altere todo o processo da reprodução. Se um homem puder nascer sem ser do sexo, ele nunca morrerá. A morte é parte do sexo assim como o nascimento é parte do sexo.

Isso também pode ser compreendido de um outro modo. Existem pessoas que têm estado muito fascinadas e obcecadas pelo conceito de imortalidade, todas as tradições que de algum modo tentaram tornar o homem imortal, sempre foram contra o sexo.

Sexo e morte estão profundamente relacionados. Num profundo ato sexual, você sente uma certa morte, como você não existisse mais. Se você realmente entra no ato de maneira total, você se dissolve. Sua identidade individual desaparece e uma força maior do que você assume o controle. O ato sexual começa como um ato voluntário, mas nunca termina como um ato voluntário. Chega um momento em que seu mecanismo voluntário é dominado pelo involuntário. Sua mente consciente é descartada e o inconsciente toma conta. Seu ego não pode existir e o não ego assume o poder, o controle. Você sente uma morte súbita do ego; sente que está morrendo.

Por isso é que as pessoas muito egoístas não podem alcançar o orgasmo sexual. Elas não conseguem se abandonar; não deixam seu inconsciente assumir o comando. Permanecem mentalmente conscientes e tentam controlar todo o processo. Então, não podem alcançar um profundo orgasmo sexual. Quanto mais civilizado o homem se torna, menos possibilidades há de orgasmo. Esse momento bem aventurado, no qual seu ego se perde e você se dissolve na existência, é um tipo de morte; a morte do ego, a morte do consciente, a morte da sua individualidade.

É por isso que os que têm medo de sexo terão medo da morte, e os que têm medo da morte terão medo do sexo. A razão desse medo é expressa do seguinte modo: “Eu posso me perder. Como posso ter certeza de que serei capaz de voltar?” É incerto. Quem sabe se você voltará ou se continuará sumindo até desaparecer por completo?

O mesmo medo surge na meditação. Ela também é um profundo orgasmo, semelhante em muitos aspectos ao orgasmo sexual.

Existe um conceito tântrico muito antigo que diz que cada homem e cada mulher são bissexuais. Nenhum homem é apenas homem. Ele também é mulher. Na Astrologia nós vemos muito bem isso. Temos o aspecto masculino (O Sol) e o aspecto feminino (A Lua). E nenhuma mulher é apenas mulher. No fundo, há um homem oculto nela. Assim, cada indivíduo, homem ou mulher, é bissexual. O oposto está oculto por baixo.

Em profunda meditação, um orgasmo sexual acontece - não com alguém de fora de você, mas sim interiormente, com o seu próprio pólo oposto. Vocês se encontram ali: sua mulher interior e seu homem interior se encontram. O encontro é espiritual, não corporal. Eles penetram um no outro, Yin e Yang. Penetram-se um no outro, tornam-se um, fundem-se. Meditação é um profundo orgasmo sexual entre os seus dois pólos opostos. O mesmo medo surge novamente.

A morte é enfrentada na meditação e no orgasmo sexual. Mas se você puder enfrentar essas mortes, você vai se tornar capaz de enfrentar a morte suprema: a morte do ego. E não haverá mais medo.

Se você puder vivenciar a morte no sexo, o próprio sexo torna-se espiritual; torna-se uma meditação. Uma vez que você pode conhecê-lo com a mulher exterior ou com o homem exterior, com o amado ou o amante, será fácil para você entrar na meditação e criar interiormente o mesmo fenômeno que você conheceu exteriormente.

Sempre que você puder sentir a morte, sinta. Não fuja. A morte é linda; a morte é o maior mistério, é mais misteriosa que a vida. Através da vida você pode ganhar o mundo, mas o mundo fútil – sem sentido, sem valor. Através da morte você pode ganhar o eterno. A morte é a porta.

Não tenha medo da morte. O medo da morte o priva de todas as experiências profundas: As experiências do amor, da meditação, do êxtase. Se você temer a morte, será privado de todas as experiências profundas. Esteja pronto para morrer. Então a vida, a vida eterna, será sua. Jesus diz: “Todo aquele que tentar salvar a si mesmo, perder-se-á. E todo aquele que estiver disposto a perder a si mesmo, alcançará a si mesmo”.

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CELSO RIBEIRO, astrólogo, SINARJ 295, acadêmico de psicologia, bacharel em ciências náuticas utilza também técnicas como o tarô, radiestesia, numerologia e sinastria. Teresópolis/RJ - (21) 2743-6454/9856-0448 - celsoribeiro@terra.com.br

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