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A Arte de Hipnotizar

A edição de maio (2003) da revista Galileu (nº 142 - Ed. Globo), traz como matéria de capa "Quem tem medo da hipnose - saiba o que é mito e o que é verdade nessa arte milenar". Uma matéria bastante interessante e explicativa que trata, de forma séria e científica, o estado hipnótico. Raramente vejo na imprensa disponibilidade para tratar a hipnose com esse enfoque. Normalmente, a imprensa reforça o aspecto místico, misterioso e milagroso que, na realidade, nada tem a ver com hipnose.

Apesar da qualidade, creio que ficaram à parte questões importantes que, certamente, enriqueceriam a matéria. Falar de hipnose como arte, talvez seja o mesmo que falar de arte no ouvir, no cheirar, no olhar, no tato. A hipnose é um dos sentidos que o homem foi perdendo ao longo da evolução. Talvez o mais importante deles. E, o que era natural, passou a ser conduzido, ao longo do processo da formação da história, por sacerdotes, entidades divinas, deuses etc. Foi assim nos Templos do Sono da antiga Grécia e Egito e, hoje, com a tecnologia, nos Templos Eletrônicos que diariamente se armam na nossa telinha de televisão, nos nossos radinhos de cabeceira.

Caso você, leitor, se interesse, observe e constate. Vá a uma Igreja e visite as imagens dos santos. Tais imagens vão mostrar os santos sempre acima, do alto e o fiel, com o olhar "hipnoticamente" voltado para cima (reverberação ocular). Vá aos modernos Templos de Cura. O milagreiro sempre estará estimulando o milagre a partir de uma posição bem mais ao alto dos que aguardam o milagre. Visite as fotos da Alemanha nazista. Constate o ditador acima da multidão.O olhar para cima, globo ocular reverberando, um dos sinais do estado hipnótico.

Não estou questionando nem criticando curas e milagres. Apenas colocando foco diferente. O milagre existe, a cura existe, sim. Apenas a ordem é que, acredito, foi invertida. O poder da cura está em quem recebeu a cura. O milagre só é milagre porque quem o recebeu acreditou nele. O sentido natural que fomos perdendo e que, mesmo com menor intensidade, foi acessado.

Assim, o moderno hipnotizador, nada tem de poder. Sua função é reconduzir o hipnotizado a um estado natural que foi minimizado pela falta de utilização. O moderno hipnotizador é, na realidade, um facilitador desse processo.

Acredite na possibilidade. Ela está adormecida e esquecida em algum lugar dentro de você. Ouse acessá-la, ela é sua propriedade, é um dos seus sentidos. Uma boa semana, com muitas descobertas!

Observação do autor: O conteúdo desse artigo é de minha inteira responsabilidade. Não reproduz, necessariamente, conceitos e práticas usualmente aceitos dentro do meio científico. Dúvidas, discordâncias e concordâncias serão respondidas pelo autor e, se autorizadas por quem as enviou, serão publicadas no site.

LUIZ ANTÔNIO PERILO é psicoterapeuta, professor, hipnólogo, especializado em terapia cognitivo-comportamental, membro da Sociedade de Hipnose Médica do Rio de Janeiro. Além da clínica, coordena grupos terapêuticos dirigidos a problemas e situações específicas, tais como obesidade, gestantes, drogadictos, dificuldades sexuais, etc. Também atua em Empresas, na área de Treinamento e Desenvolvimento, promovendo cursos e palestras, mais especificamente ligados aos processos de criatividade, formação de equipes, relacionamento intra e interpessoal. Rio de Janeiro/RJ - (21) 3878-5183 (Publicado no site http://www.hipnosis.com.br em 10/06/2003 seção Artigos da Semana). (veja mais)

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